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segunda-feira, 22 de abril de 2024

Veja o que aconteceu com os chefões do tráfico do Estado do Rio

 Prisão de Rogério 157 foi a mais recente envolvendo liderança do crime organizado

Rogério 157, um um dos traficantes mais procurados do Rio de Janeiro, foi preso na comunidade do Arará, na Zona Norte do Rio - Fabiano Rocha / Agência O Globo 

RIO - A prisão nesta quarta-feira de Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157 , que ocupava o posto de chefe do tráfico na Rocinha, na Zona Sul do Rio, e foi pivô de uma guerra que colocou a comunidade no fogo cruzado entre facções rivais - uma delas ligada ao antigo líder do crime organizado na comunidade, o Nem da Rocinha -, é o mais recente episódio em que a polícia consegue localizar e colocar atrás das grades um nome de grande expressão do tráfico de drogas do Rio. No entanto, muitos outros chefões já ocuparam o posto e, de certa fora, o “status” de criminoso mais procurado do Rio. Conheça a história e o o destino de alguns deles:
  • Fernandinho Beira-Mar
  • Marcinho VP
  • Celsinho da Vila Vintém
  • Elias Maluco
  • Nem da Rocinha 

Rogério 157 ouça o texto:

 

Fernandinho Beira-Mar

Fernandinho Beira-Mar é um dos 81 presos nascidos no Rio que estão em penitenciárias da União - Fernando Quevedo / Agência O Globo 13/05/2015

 

Luiz Fernando da Costa, mais conhecido como Fernandinho Beira-Mar, é considerado um dos maiores traficantes de armas e drogas da América Latina. Apontado como um dos maiores chefes da história da facção Comando Vermelho e natural da favela Beira-Mar, no município de Duque de Caxias, na Baixada, ele começou a vender drogas antes dos 20 anos de idade, e hoje é um dos principais criminosos do estado.

A ascensão de Beira-Mar ocorreu entre o início e meados dos anos 1990, quando abriu canais próprios de distribuição de drogas e conquistou morros como Borel, Rocinha, Chapéu Mangueira e Vidigal. Preso em 1996, não ficou nem um ano no presídio de Belo Horizonte. Agentes penitenciários foram acusados de ter facilitado a fuga dele.

Beira-Mar montou um gigantesco esquema de lavagem de dinheiro no maior banco federal estatal do país e teria morado no Paraguai, Uruguai, Bolívia e Colômbia, onde se aliou às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Foi recapturado pelo exército colombiano, em atuação conjunta com agentes norte-americanos e repatriado para o Brasil em abril de 2001. Na época, era apontado como responsável por 70% das remessas da cocaína distribuída no país.

Em 2002, preso em Bangu I, ele organizou rebelião com a finalidade de matar Ernaldo Pinto Medeiros, o Uê, e outras lideranças de uma facção criminosa rival. Passou pelos presídios de Catanduvas (PR), Campo Grande (MS) e Porto Velho (RO), e atualmente está na unidade prisional de Mossoró (RN). Em outubro, o ministro do STF Alexandre de Moraes negou a volta de Fernandinho Beira-Mar e de outros chefes do tráfico para presídios do Rio .


Fernandinho Beira-Mar ouça o texto:


Marcinho VP

O traficante Marcinho VP é um dos presos federais que podem voltar ao Rio - Agência O Globo


Nascido em Vigário Geral e criado em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, é outro chefe histórico do Comando Vermelho e apontado como chefe do tráfico no Complexo do Alemão, mesmo estando atrás das grades desde 1996. Condenado a 44 anos de prisão - 10 por tráfico e outros 34 por mandar matar duas pessoas, crimes que ele nega, o traficante foi transferido para o sistema prisional federal em 2007, onde permanece desde então. É apontado pela polícia como um dos mandantes da pela morte de Márcio Amaro de Oliveira, chefe do tráfico no Morro Dona Marta, em Botafogo, na Zona Sul, e que também adotava o apelido de Marcinho VP. Márcio Amaro foi morto por estrangulamento no presídio de Bangu III, em 2008. A suspeita é que Márcio Nepomuceno não estaria gostando das entrevistas que o antigo comparsa dava relatando detalhes do funcionamento do tráfico no Rio

Nste ano, Marcinho VP revelou em livro que ajudou o ex-governador Sérgio Cabral na campanha de 1996 - quando o então deputado presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) disputou o cargo de prefeito e perdeu. No texto, um manuscrito a que o EXTRA teve acesso com exclusividade , o traficante conta que a equipe de Cabral pediu o apoio dele no Complexo do Alemão e que o ex-governador esteve com ele durante uma hora num camarote na favela durante um show do Molejo. A defesa do governador nega o encontro.

O traficante, no entanto, considera que sua transferência para o sistema penal federal, em 2007, foi uma decisão de Cabral. Ele está há 10 anos nos presídios de segurança máxima. Marcinho chama o ex-governador de “ladrão” e “traidor”. Atualmente, como Fernandinho Beira-Mar, Marcinho VP está na penitenciária federal de Mossoró (RN).


Marcinho VP ouça o texto:


Celsinho da Vila Vintém 

O traficante Celsinho da Vila Vintém, durante depoimento em julgamento de Fernandinho Beira-Mar - Thiago Freitas / Agência O Globo

Veterano do mundo do crime e um dos fundadores da facção Amigos dos Amigos (ADA), Celso Luiz Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém é apontado como uma dos maiores chefes do tráfico na Zona Oeste do Rio. Começou sua vida de delitos promovendo assaltos a caminhões de carga na Avenida Brasil. Em meados dos anos 1990, Celsinho assumiu o controle do tráfico na favela da Vila Vintém, em Padre Miguel, e se tornou um dos nomes mais importantes do Comando Vermelho, quando ainda era conhecido como Celsinho Russo.

Anos mais tarde, criou a facção Amigos dos Amigos. Em 2002, ele implorou por sua própria vida numa rebelião dentro de Bangu 1, quando outro líder de facção, Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, foi assassinado. Na ocasião, prometeu que trocaria de facção para não ser morto pelo bando de Fernandinho, Beira-Mar.

Condenado a mais de 30 anos de prisão por crimes como tráfico de drogas, homicídio, corrupção, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver, Celsinho está encarcerado há mais de 15 anos. Desde 2014, o traficante cumpria pena em presídios federais, mais recentemente na Penitenciária de Porto Velho, em Rondônia, mesmo local onde está Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha.

Atualmente, ele cumpre pena no Complexo de Gericinó, após conseguir na Justiça, em maio deste ano, a transferência do presídio federal de Rondônia para o Rio . De acordo com a investigação da 11ª DP (Rocinha), Celsinho é, ao lado de Nem, um dos mandantes da invasão à Rocinha em setembro deste ano, com o objetivo de retirar de Rogério 157 o controle do tráfico na região. 


Celsinho da Vila Vintém ouça o texto:


Elias Maluco

Julgamento de Elias Maluco pelo assassinato do jornalista Tim Lopes, no fórum do Rio - Sérgio Borges

Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, é mais uma dos chefes emblemáticos do Comando Vermelho e já controlou o tráfico de drogas em mais de 30 favelas nos complexos do Alemão e da Penha. Mas, ele ficou conhecido, principalmente após o assassinato do jornalista Tim Lopes, da TV Globo, em 2002. Sua ascensão no mundo do crime, porém, é muito anterior e foi rápida. Em 1995, o criminoso era gerente do tráfico em Vigário Geral, na Zona Norte do Rio. Com a morte de Flavio Negão, Elias Maluco assumiu o controle do comércio de entorpecentes na região e logo se tornou o homem de confiança de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP do Complexo do Alemão.

Com a prisão de Marcinho VP, em 1996, ele passou a gerenciar a venda de drogas no conjunto de favelas, além de assumir quadrilhas em outras favelas, como as do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, e nos morros do Pavão-Pavãozinho e do Cantagalo, na Zona Sul. Neste período, passou a participar também do tráfico de armas. Já esteve preso sob acusação de sequestro, mas foi solto porque, depois de quatro anos, não havia sentença no processo. Ele foi preso em 1996 pela Divisão Antissequestro (DAS). Em julho de 2000, conseguiu o habeas corpus que garantiu sua liberdade.

Em junho de 2002, Elias Maluco comandou o sequestro, tortura e morte do jornalista Tim Lopes, que fazia, com uma câmera escondida uma reportagem sobre um baile funk realizado na comunidade, onde haveria venda de drogas e exploração sexual de adolescentes. Após uma força-tarefa das polícias Militar e Civil, com um cerco ao Complexo do Alemão, que durou cerca de 50 horas, o criminoso foi capturado. Em maio de 2005, ele foi condenado a 28 anos de prisão pelo crime, no dia 22 de Setembro de 2020 ele foi encontrado morto em sua cela no presídio federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

 


Elias Maluco ouça o texto:


Nem da Rocinha 

Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, ao ser preso, em Novembro do ano passado - Reuters

Ligado à facção Amigos dos Amigos (ADA), Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, voltou aos holofotes devido à acusação de ordenar, de dentro da prisão, a invasão à Favela da Rocinha em Setembro deste ano , com o objetivo de retomar o controle do tráfico após a “traição” de Rogério Avelino dos Santos, o Rogério 157. Antigo segurança pessoal de Nem, Rogério se recusou a entregar o controle da favela , o que deu origem a uma onda de violência na comunidade.

A ascensão de Nem no comando do tráfico da Rocinha ocorreu em outubro de 2005, após a morte de Erismar Rodrigues Moreira, o "Bem-Te-Vi", durante uma operação da Polícia Civil. A partir dali, Nem e João Rafael da Silva, o Joca, braços direitos de Bem-Te-Vi, passaram a controlar a venda de drogas na comunidade. Após a prisão de Joca, Nem assumiu sozinho o comando da Rocinha.

Em janeiro de 2010, Nem chegou a forjar a própria morte, farsa logo descoberta pela polícia . O golpe foi descoberto pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA). O médico que atestou o óbito do criminoso, Dalton Jorge, acabou preso por falsidade ideológica e associação ao tráfico. Menos de dois anos depois, em novembro de 2011, Nem foi preso escondido no porta-malas do carro de um de seus advogados, na Lagoa, por onde tentava fugir.

Mesmo com a prisão, Nem continuou, nos anos seguintes, sendo o grande líder do comércio de drogas da Rocinha. Em setembro deste ano, com a traição de Rogério 157 e tentativa de retomada do controle do tráfico, ele voltou ao noticiário. Atualmente, está detido na penitenciária federal de Porto Velho, em Rondônia, de onde ainda dita ordens àqueles que ainda lhe são fiéis. Sua mulher, Danúbia, que teve que fugir da Rocinha após o começo da guerra na comunidade, foi presa pela Polícia Civil em outubro deste ano . 


Nem da Rocinha ouça o texto:

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O HOMEM QUE ORGANIZOU O CRIME (Terceira Parte) O Escritor


Aos 13 anos (hoje estou com 35 ) chegou em minhas mãos (não me lembro como)dois livros de um autor que eu não conhecia. Logo comecei a ler o primeiro de nome "Exílio na Ilha Grande". Devorei rapidamente esse livro e me apaixonei pela historia do cara que conseguiu fugir do mais temido presidio da ´época, o presidio Cândido Mendes mas conhecido como o presidio da Ilha Grande ou carinhosamente chamado pelos presos como o "Caldeirão do Diabo" em cima de uma canoa feita de bambu apos passar 11 dias andando na mata. Quem conhece a Ilha Grande sabe como foi espetacular essa fuga.

No segundo livro "Esmaguem Meu Coração" é mais voltado para os assaltos mas igualmente espetacular como o primeiro.
Sou tão apaixonado pelas historias de vida contada nesses livros que ao perceber alguns anos atras que eu havia perdido o livro "Esmaguem Meu Coração" me desesperei e passei a buscar em livrarias esse livro sem sucesso, e por alguns anos procurei até semana passada eu encontrar em um sebo virtual o livro.

Super recomendo os dois livros que vai mostrar pra vocês que na época do presidio da Ilha Grande o que os detentos mais queriam era que existissem os presídios federais que temos hoje...



quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O HOMEM QUE ORGANIZOU O CRIME (Segunda Parte)




Reportagem feita em 1997.


A cúpula do crime organizado carioca: 


Japonês

Lucio Flavio

Professor


LÚCIO FLÁVIO E MARIEL MORYSCOTTE

Mariel Moryscotte, ex-salva-vidas, Agente de Polícia Judiciária (cargo já extinto), foi nomeado um dos Homens de Ouro da polícia do Rio. Uma turma de elite criada pela Secretaria de Segurança para combater o crime. Só que Mariel valia-se do cargo e prestígio para tratar da própria vida. Ele pretendeu que Lúcio Flávio, já um puxador de carros de fama, seu irmão Nijini e o cunhado Fernando C.O. trabalhassem para ele. Lúcio Flávio foi duro na resposta: "Polícia é polícia, bandido é bandido, não se misturam, são como azeite e água."

Mariel organizara um Esquadrão da Morte para eliminar os bandidos que sabiam demais, ou lhe davam banho, o que na gíria policial significa ser roubado, passado pra trás.

André continuou a furtar carros para vendê-los em Recife. Tome chão, sem ser importunado pela polícia, porque viajava com documentação fria que era providenciada por Lúcio Flávio. Como e onde eram conseguidos os documentos, André nunca se interessou em saber. Sabia que se perguntasse perderia a confiança. Aos 18 anos, apresentou-se para servir o Exército. Tinha interesse no Certificado de Reservista, queria ter os documentos em ordem. Lotado no Quartel General do Ministério do Exército, no Centro do Rio, ao lado da Central do Brasil, costumava ir para a caserna em carros roubados, que deixava no estacionamento privativo do Ministério.

Certa vez, o bando fez a mudança (roubou tudo o que encontrou) em uma mansão na Barra da Tijuca, bairro nobre da Zona Sul do Rio. "No palacete do bacana havia um puta bar", lembra André.

"A rapaziada tomou uísque doze anos e fez uma farra. Na hora em que a gente já ia embora, encontrei o baton da dona da casa. Peguei o baton e com ele escrevi uma mensagem no enorme espelho que cobria toda a parede de uma das salas: "Comando Cobrador de Impostos Coronel André Torres"

"Por quê André Torres?"
"Sei lá, porra! Foi o nome que me veio na hora... Depois disso, passaram a me chamar assim", responde com naturalidade.

A quadrilha começou a cair quando um guarda de segurança bancária que fazia parte do grupo foi preso e entregou o resto do pessoal. André foi julgado em Auditoriais Militares por um sem número de assaltos a bancos e homicídio (matou o segurança de uma joalheria em Copacabana) e o total de suas condenações somou 585 anos de prisão.

O ex-criminoso posa em sua casa

ILHA GRANDE

No final dos anos 60, os ativistas políticos começaram a assaltar bancos para financiar a guerrilha urbana contra a ditadura militar. Os bandidos comuns viram que o negócio dava lucro e entraram para o ramo. Hugo Ferrúcio organizou sua quadrilha e foi o primeiro. Diante do número de assaltos, o governo decidiu enquadrar todos os ladrões de bancos na Lei de Segurança Nacional, não importando se o grupo tivesse ideologia política ou não. Ato contínuo, mandou todos os assaltantes de bancos, integrantes de organizações políticas clandestinas e os chamados bandidos comuns para um mesmo presídio, o Instituto Penal Cândido Mendes, na Ilha Grande.

André Torres e seu amigo Fernando Bernardino Pinto, que morreu há alguns anos com câncer na garganta, foram os primeiros bandidos comuns a serem mandados para a Ilha Grande. "Aprendi muito com os presos políticos", diz André.
Um dia chegaram ao presídio da Ilha Grande os integrantes da quadrilha DKW. Eram chamados assim, porque só roubavam carros daquela marca. Era um pessoal da pesada, que não quis se enturmar e começou a roubar objetos pessoais dos presos políticos. Uma noite, Marta Rocha, que era da quadrilha de Lúcio Flávio, ganhou uma grana do pessoal do bando DKW. Os caras ficaram na bronca e se vingaram, roubando o relógio do Marta Rocha.

"Chega uma hora que se você não toma uma atitude, tá fodido", diz André Torres. "E a hora tinha chegado. Eu, Antônio Branco, Flávio Guache, acho que mais uns três, não me lembro, resolvemos acabar com aquela porra. Então matamos quatro deles a pauladas e golpes de estoque. O quinto só escapou porque se trancou numa cela".
Duas solitárias foram construídas no fundo da geladeira, isoladas por portas de aço, e André Torres e seus companheiros foram trancados naquele lugar, que ficou conhecido como Fundão.

Uma noite, André Torres promoveu uma reunião de que participaram, entre outros presos comuns, Bernardino, Flávio Guache, Sérgio Túlio, Antônio Branco, Viriato, o Japonês, e William, o Professor.

André sugeriu que se organizassem, como os presos políticos haviam ensinado. A idéia foi aceita e o grupo fez até um ritual. Com um canivete, cada um fez um corte na própria mão e deixou o sangue pingar no chão, onde se misturou.
"Fizemos um pacto de sangue", conta André Torres. "Daquele momento em diante, passamos a ser um por todos, todos por um. Por sugestão minha, demos à nossa turma o nome de Grupo União".

"Quando cheguei na Ilha Grande, disse para
os presos políticos: 'Somos de MDC: Mulher,
Dinheiro e Cocaína.' Eles caíram na gargalhada"

A ROTA DA FUGA


As marcas da maior organização criminosa do Rio de Janeiro se espalham por todas as favelas da cidade. Na foto, as iniciais CV aparecem na parede de um barraco do Morro da Providência

Em 1973, André Torres e um companheiro, Ronaldo, fugiram. Durante onze dias, andaram na selva. O presídio ficava no extremo leste da ilha, voltado para o mar aberto. André e Ronaldo foram em direção à Ponta dos Macacos, no outro lado. Aquele é o ponto da Ilha Grande mais próximo do continente, distante apenas seis quilômetros de Angra dos Reis.

"Quando chegamos lá, construí uma jangada de bambú com as próprias mãos", lembra André. "Enrustimos a jangada no mato e nos escondemos para fugir à noite. Quando escureceu, arrastamos a jangada para a praia. André Torres passou um ano foragido.

Recapturado, foi levado para o Presídio Mílton Dias Moreira. Em 19 de agosto de 1974, uma semana após a histórica fuga de Lúcio Flávio, que conseguiu sair pela porta da frente da penitenciária, André escapou com mais quinze presos, em uma evasão em que se diz, vários guardas foram subornados. No mesmo ano, meses depois, foi com um amigo, Valdir de Castro, visitar uma amiga no bairro do Caxambi, zona norte do Rio. Dois policiais espreitavam o prédio e quando André desceu do carro um deles disparou, alvejando-o pelas costas. Um dos tiros atingiu-o na coluna cervical. O criador do Comando Vermelho ficou paralítico.

André ficou preso até o começo dos anos 80, quando foi indultado pelo então presidente da República, general João Batista Figueiredo.

"O crime organizado ocupa com competência um espaço que
o governo ignora na área da assistência social"

As marcas da maior organização criminosa do Rio de Janeiro se espalham por todas as favelas da cidade. Na foto ao lado, as iniciais CV aparecem na parede de um barraco do Morro da Providência

A SEMENTE DO CRIME ORGANIZADO

Há 25 anos, André Torres criou o Grupo União, depois chamado Falange, hoje Comando Vermelho. Não importa o nome, foi a semente do crime organizado. Ele avalia o tempo e analisa: "Em termos de criminalidade, mudou tudo. Hoje os assaltos a bancos são raros porque não rendem. Os bancos não deixam dinheiro grande nas agências. É uma puta mão-de-obra, precisa de um monte de homens, e quando vão dividir a grana, dão uma merreca para cada um. O que dá lucro é o tráfico de drogas e os seqüestros. Outra diferença é o armamento. Nós assaltávamos bancos com revólver 38, no máximo pistola 45 ou 765. Se naquele tempo usássemos as armas de hoje como os fuzis AR 15 e Fal, ia ser uma tragédia. Pode reparar que os bandidos raramente trazem esse armamento para as ruas. Só usam na segurança dos pontos de venda de droga. Acho que tínhamos mais coragem que os bandidos de hoje."
A Falange ou Comando Vermelho já não controla o sistema penitenciário. Seus líderes estão confinados nos presídio de segurança máxima Bangu 1. Mas mesmo da prisão, comandam o crime organizado nas ruas. André Torres explica como funciona:

O PODER DA FALANGE

"A Falange Vermelha nunca esteve tão forte nos morros, nas favelas, nas comunidades carentes, como hoje. O crime organizado ocupa com competência o espaço que o sistema, o governo, ignora na área da assistência social. São os chefes do tráfico de drogas que compram o material escolar do filho do favelado, os remédios e dão até dinheiro para pagar os enterros de seus mortos. Quando pobre precisa de um favor maior, manda recado para um companheiro que está em Bangu 1. De lá, vem a ordem para que o pedido seja atendido. Até internação em hospital se consegue. Às vezes, a mulher favelada não tem dinheiro para comprar uma merda de bujão de gás pra cozinhar para os filhos. Ela vai na boca de fumo e o traficante dá o bujão de gás pra ela. A gente ganha muito quando ajuda as pessoas. É por isso que as comunidades carentes protegem os traficantes. É uma questão de sobrevivência. As autoridades se queixam de que o exército do tráfico, a segurança das bocas de fumo, é feita por menores, uma garotada de 14, 15 anos, que tem nas mãos armas poderosas, como os fuzis Fal e AR-15. O que essas autoridades não dizem é que o salário mínimo do trabalhador é de 120 cruzeiros (sic) e que esses garotos que trabalham no tráfico ganham muito mais por semana e que são eles que sustentam as famílias".

Provocado, André Torres conclui: "Mesmo depois de tudo que passei, se eu não estivesse nessa cadeira de rodas ia ser um inferno. Com a experiência que eu tenho e com os meus conhecimentos, sei onde conseguir armas modernas e homens capazes... Melhor deixar pra lá..."

Fonte Revista Trip

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O HOMEM QUE ORGANIZOU O CRIME (Primeira Parte)



Reportagem feita em 1997.

Se não fosse por uma bala cravada na coluna, André Torres garante: "Eu continuaria sendo um inferno." Um dos fundadores do Comando Vermelho passa sua vida a limpo,conta como conseguiu se livrar de uma condenação de 585 anos de cana e revela segredos capazes de rachar as estruturas do crime organizado carioca.

Manhã de sol. Rua de subúrbio ferroviário na Zona Norte do Rio de Janeiro. Dois carros em comboio param junto à calçada. Seus seis ocupantes desembarcam. Os motoristas permanecem aos volantes. Os homens caminham em direção a uma agência bancária. O segurança, de pé na porta do banco, volta-se para o grupo. Os homens apertam o passo. Um deles saca um revólver, encosta o cano na cabeça do guarda e o empurra para dentro do banco.

Os outros também empunham revólveres: "Todo mundo quieto! Isso é um assalto!"
Funcionários e clientes se agitam. "Parados! Pro chão! Pro chão!" - grita com energia o líder do grupo. As pessoas obedecem, nervosas e amedrontadas. Um dos assaltantes se destaca dos demais. Carrega um galão e derrama gasolina em volta da cabine de segurança em movimentos rápidos. Joga o galão para um canto e risca o fósforo. O fogaréu surge como numa explosão. As pessoas deitadas no chão gritam em pânico. A porta da cabine se abre e o guarda salta por sobre as chamas, mãos para cima.
É sabido no meio da malandragem que o bandido que ateou fogo é William da Silva Lima, o Professor.



Cabine de segurança bancária queimada pelo CV: cena comum nos anos 70

Os bandidos se dividem. Alguns recolhem o dinheiro dos caixas, outros obrigam o gerente a abrir o cofre e carregam os malotes com pacotes de cédulas. Dois assaltantes mantêm funcionários, clientes e guardas sob a mira das armas. A operação não dura mais do que três ou quatro minutos. A quadrilha de Hugo Ferrúcio, pioneira nos assaltos a banco no Rio de Janeiro, na década de 60, é metódica e rápida. Seus homens saem do banco e embarcam nos carros, que aguardavam com os motores ligados e agora arrancam, pneus mordendo o asfalto. Da quadrilha de Ferrúcio faz parte um jovem de 19 anos, Ântonio Carlos Rosa Quinta, que ficaria conhecido da bandidagem como André Torres.

585 ANOS DE PRISÃO

Dois anos mais tarde, em 1971, com 21 anos de idade e já condenado a 585 anos de prisão por assaltos a bancos e homicídio, André Torres desembarcou na Ilha Grande, litoral sul do Estado do Rio de Janeiro, para cumprir sua pena. Sua passagem pela prisão-inferno, que tinha o respeitável nome de Instituto Penal Cândido Mendes, mudaria a história do sistema penitenciário brasileiro. Naquele mesmo ano de 1971, André Torres criou uma organização de encarcerados que está completando 25 anos e atualmente domina o tráfico de drogas e promove os seqüestros no Rio de Janeiro: o Comando Vermelho.

André Torres tem hoje 47 anos e está paralítico, condenado à cadeira de rodas perpétua. A bala de um tiro de revólver, disparado por um policial, durante u ma das fugas, atingiu-o pelas costas e seccionou-lhe a coluna cervical. André Torres recebe o repórter da TRIP na sua casa, no subúrbio de Ramos, zona norte do Rio, numa das entradas do Complexo do Alemão, conglomerado de uma dezena de favelas que se estende pelos subúrbios de Ramos, Penha e Olaria, convertido em supermercado do tráfico de cocaína dominado pelo Comando Vermelho.

O ex-criminoso posa em sua casa

"O pessoal do tráfico me respeita. Se eu precisar,
vou numa boca de fumo e peço dinheiro. Eles
sabem que eu sou da Falange Vermelha"

"COM O SUPER-HOMEM FOI PIOR"

A primeira pergunta é inevitável. Valeu a pena a vida de crimes, para acabar numa cadeira de rodas? Braços erguidos, dedos das mãos cruzados atrás da cabeça, André Torres olha para o teto, pensativo, e depois me encara:
"Não tenho do que me arrepender. Isso pode acontecer com qualquer um. Fiquei paraplégico, mas não mudei minha cabeça nem fiquei broxa. Posso trepar e até fiz um filho". E acrescenta, com sorriso moleque: "Com o Super-Homem foi pior (refere-se ao ator Cristopher Reeve). O cara voava e está tetraplégico..."

André Torres não exagera quando diz que não mudou sua maneira de pensar por ter ficado paralítico. Muitos de seus companheiros morreram e os que escaparam cumprem pena, atualmente, na prisão de segurança máxima Bangu 1. Ele não esconde o orgulho ao revelar que continua respeitado na organização e ainda mantém influência junto aos atuais chefes do Comando Vermelho.

André Torres não aceita a denominação Comando Vermelho. Não discute, mas não usa o nome. Prefere chamar de Falange Vermelha, que aliás nem foi o título original da organização, criado simplesmente como Grupo União.

Antônio Carlos, o André Torres, e quatro irmãs são filhos dos portugueses Manoel e Clotilde Rosa Quintas. André, segundo filho do casal, nasceu em 11 de agosto de 1950. Foi criado na rua Dr. Noguchi, em Ramos, onde o pai tinha uma pequena loja de material de construção, que é tocada por dona Clotilde desde que o marido morreu, há alguns anos.

Aos 15 anos, quando cursava a segunda série do antigo curso ginasial, ficou de saco cheio, abandonou o Colégio Cardeal Leme e caiu na vida.

Com 16 para 17 anos, André já tinha fama como puxador e se enturmou com ladrões de carros que faziam ponto no bar Planalto, no bairro vizinho de Bonsucesso. Ali conheceu Lúcio Flávio Vilar Lírio, que se tornaria o grande bandido do Rio de Janeiro nos anos 70, seu irmão Nijini e o cunhado, Fernando Gomes de Carvalho, o Fernando C.O. Lúcio Flávio, que também começara a furtar carros por farra, tomou gosto, especializou-se no ramo e montou um esquema. Aos 20 anos, providenciava documentação falsa, até carteira de motorista, e vendia os automóveis roubados a receptadores em Recife e São Paulo. Por cada carro, seu pessoal recebia Cr$ 1.500,00 (na época, o zerinho custava entre seis mil e sete mil cruzeiros). André Torres entrou para o negócio.
Naquele tempo, 1968 para 1969, um policial ganhava notoriedade.

Fonte: Revista Trip

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Lúcio Flávio Villar Lírio- (Baú do Crime) Filme sobre a vida dele no final do Post


Lúcio Flávio Villar Lírio (Rio de Janeiro, DF, 1944 — Rio de Janeiro, GB, 29/01/1975) foi um criminoso brasileiro, precursor dos assaltos a banco no Brasil, famoso na década de 70 do século XX, sendo o marginal mais procurado pela polícia à época. Utilizava os nomes de Marcos Wolkllevit Júnior, Rafaelio Wandencock e Marcelo Fleming Spittscakoff e era considerado um bandido refinado e inteligente, originário da classe média alta carioca dos anos 60 e 70.
Sua trajetória como criminoso se inicia em 1968, quando o regime militar interrompe a sua candidatura a vereador por Vitória (ES), sendo que a partir daí, inicia contatos com outros jovens de sua idade e montam uma quadrilha para roubar carros. Já aos 30 anos acumulava 32 fugas, 73 processos e 530 inquéritos por roubo, assalto e estelionato. A família de Lúcio Flávio era considerada abastada, sendo seu pai ligado ao PSD e também cabo eleitoral de Juscelino Kubitschek. Um episódio não confirmado é atribuído à família do jovem Lúcio, e que buscar explicar os motivos que o fizeram contestar as autoridades e optar pelo mundo do crime: durante uma festa de casamento, onde a família de Lúcio Flávio estava toda presente, agentes do DOPS invadiram a reunião, espancaram sua mãe e enfiaram a cara de seu pai no bolo da festa, devido às ligações de seu pai com o ex-presidente.

Em sua última prisão, em Belo Horizonte, pronunciou a frase com que ficaria lembrado: "Bandido é bandido, polícia é polícia, como a água e o azeite, não se misturam". A declaração fazia referência ao fato da prática de muitos policiais, assim como ocorre ainda hoje, participarem do crime organizado ao mesmo tempo em que mantêm seus cargos na polícia. Isso significa que tal indivíduo não teria a honra de ser chamado de policial, era apenas mais um marginal como os outros, o que de muitas maneiras, não deixa de ser verdade. Apesar de sua ligação com o crime, ajudou a desmascarar um grupo de policiais cariocas pertencentes ao Esquadrão da Morte, entre eles Mariel Mariscot, um dos homens de elite da polícia do Rio, e que mantinha ligações com criminosos.
Ao ser preso pela última vez, em 1974, em Belo Horizonte, foi recambiado para o complexo prisional Frei Caneca, no Rio de Janeiro.


29 de janeiro de 1975: O assassinato do Bandido Lúcio Flávio

Uma facada no pescoço, que seccionou a carótida, e vários ferimentos no peito, mataram, na madrugada, o criminoso Lúcio Flávio, 31 anos, na cela 7 da galeria D do presídio Hélio Gomes, no Rio de Janeiro. O assassino, outro detento, Mário Pedro da Silva, alegou legítima defesa. Lúcio Flávio e Mário teriam brigado após uma roda de carteado.

Prestes a dar um novo depoimento à Justiça, Lúcio Flávio era a principal testemunha nas investigações sobre as atividades exercidas pelo Esquadrão da Morte no estado. Com sua ajuda, foram condenados vários policiais, a começar por Mariel Mariscotte, acusado por ele de participação no Esquadrão da Morte, e de liderança em outra organização, de estelionato e roubo de automóveis.

Sinopse do Filme "O Passageiro Da Agonia" que conta a historia de Lúcio Flavio.

Brasil, 1977. Drama Nos anos 60 surge o Esquadrão da Morte, para combater o crime à margem da lei. Nesse contexto vive Lúcio Flávio (Reginaldo Farias), ousado líder de assaltantes de banco. Tudo piora quando um banco é assalto em uma cidade do interior e o Dr. Bechara (Ivan Cândido) dá início a uma ação policial nos subúrbios do Rio, para localizar Lúcio. Ele e sua mulher, Janice (Ana Maria Magalhães), recebem a notícia da prisão de Mucuçu, integrante do bando de Lúcio, que também acaba sendo preso mas foge da delegacia. Certa noite é preso novamente por Bechara e levado para um presídio, onde agentes da Polícia Federal tentam em vão saber do seu envolvimento com Moretti (Paulo César Pereio), um policial. Lúcio é libertado por seus companheiros e, com a conivência de Moretti, assalta um banco. Tentando mudar de vida Lúcio vai com Janice para Belo Horizonte, mas seu destino já estava traçado.

Diretor: Hector Babenco

Elenco: Reginaldo Farias, Grande Otelo, Ana Maria Magalhães, Ivan Cândido, Lady Francisco, Alvaro Freire, José Dumont, Milton Gonçalves, Paulo Cesar Pereio, Stepan Nercessian- Lucio Flavio O Passageiro Da Agonia Completo.




quinta-feira, 14 de novembro de 2013

José Carlos dos Reis Encina- Escadinha (Baú do Crime)



Nasce um criminoso

No coração do subúrbio, em Vaz Lobo, nasceu em 1956, um menino que se tornou um dos bandidos mais famosos do Rio na década de 80.Ironicamente morreu, em 2004, como um empresário dono de uma coopretaiva de táxi: José Carlos do Reis Encina, o "Escadinha". Quando ainda era simplesmente o garoto Zé Carlos, filho do líder comunitário Manoel Encina, o Chileno, ele ganhou o apelido que o acompanhou para o resto da vida. O lugar onde isso aconteceu foi numa barbearia ao pé do Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, onde foi criado. Como não parava sossegado na cadeira, o barbeiro errou o corte e criou alguns "degraus" na testa da criança, que logo passou a ser chamado pelos amigos de "Escadinha".



Com 16 anos, o adolescente Escadinha entrou para o mundo do crime e começou a se envolver com o tráfico do Juramento, mas só dois anos depois, em 1974, foi preso pela primeira vez, por porte ilegal de arma. Pagou fiança e foi libertado. Erta o o início de uma máxima que o acompanhou por boa parte de sua vida. A de não ficar atrás das grades por muito tempo. Escadinha foi preso pelo menos mais cinco vezes, em um período de 13 anos, entre a década de 70 e o final da década de 80. A ficha penal do bandido cresceu como uma árvore frondosa: anotações criminais de tráfico, ataques a carro-forte, formação de quadrilha, homicídios e uma série de assaltos se multiplicaram e obrigavam a José Carlos dos Reis Ensina, a vez por outra, dar um "pulinho" na cadeia.


Uma vida e crimes e fugas


Tantas idas e vindas da prisão fizeram Escadinha conhecer companheiros de cárcere como José Carlos Gregório, o Gordo, Rogério Lemgruber, o Bagulhão, William da Silva, o professor, Francisco Viriato e fundar a primeira facção criminosa do Rio de Janeiro. Escadinha ganhou status de traficante mais perigoso do Rio. Ao mesmo tempo recebeu fama de bandido romântico no Juramento. Não permitia assaltos na comunidade e nem abuso contra mulheres. Chegou a dizer em entrevistas, que não permitia que crianças se alistassem no tráfico, comandado por ele próprio . Em contrapartida, também recebia proteção na favela onde foi criado e ganhava ajuda dos moradores para se esconder da polícia. Com uma fuga cinematográfica e algumas tentativas frustadas, Escadinha vira evangélico, artista, muda de vida, saí da cadeia.

A fuga cinematográfica

Depois de passar dois anos seguidos na prisão, em 1983, Escadinha usou um barco a remo para conseguiu fugir da Ilha Grande. A polícia tentou recapturá-lo cercando todos os acessos do Juramento. A operação, além de não dar certo, foi marcada por uma tragédia. Um helicóptero da Polícia Civil caiu e os quatro ocupantes da aeronave acabaram mortos. Em 1985 foi finalmente preso na Favela do Jacarezinho. Meses depois, José Carlos dos Reis Encina tentou fugir e foi baleado. Transferido para o presídio da Ilha Grande, lugar que já conhecia com a palma da mão, o bandido conseguiu, no dia 31 de dezembro de 1985, a mais espetacular de suas fugas. Foi resgatado do presídio por um Helicóptero. Dentro do aparelho estava, além do piloto que foi obrigado a realizar o voo, o parceiro e fundador de uma facção criminosa: José Carlos Gregório, o Gordo. Escadinha foi levado para Coroa Grande. De lá voltou para o Juramento e entrou o ano novo mais solto do que nunca.


Quatro anos depois, o filho de Chileno voltou a ser preso. Por medida de segurança, Escadinha foi levado para o Complexo Frei Caneca, no Centro do Rio. Homens da facção criminosa que integrava, tentaram o resgatar. Para isso tomaram uma estação da Light e promoveram um blecaute na área do presídio. No entanto, a polícia acabou frustrando a fuga.

A morte de Escadinha

No mesmo ano, o traficante conseguiu emprego e o benefício de cumprir pena em regime semi-aberto. Acabou se afastando da facção criminosa que ajudou fundar e chegou a se aproximar de bandidos rivais. Observado de longe pela polícia, alcançou a quase independência financeira, chegando ao posto de vice-presidente de uma cooperativa de táxis da Zona Norte. Foi o início do epílogo da vida de Escadinha. Depois de se recusar a assumir o Morro do Juramento, uma determinação de bandidos que ainda estavam presos, José Carlos dos Reis Encina passou a angariar inimigos.


No dia 23 de setembro de 2004, como fazia todos os dias, Escadinha, então com 49 anos, saiu pela manhã do Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, em Bangu, para ir trabalhar. Não conseguiu ir muito longe. Na Avenida Brasil, altura de Padre Miguel, o Vectra que dirigia foi metralhado por tiros de fuzil. Acabava ali a vida do menino que um dia foi o rei do Morro do Juramento. Ao seu lado, no bando do carona, morreu Luciano da Silva Wanderley, que também estava saindo do presídio para ir trabalhar.Até hoje a polícia não descobriu os autores do duplo assassinato.




quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Márcio dos Santos Nepomuceno-Marcinho VP do Complexo do Alemão (Baú do Crime)


Marcinho VP estava preso numa penitenciária do Rio de Janeiro e foi transferido para um presídio de segurança máxima em Catanduvas, no Paraná, cidade a aproximadamente 60 km de Cascavel, por conta dos ataques no Rio de Janeiro, os quais eram supostamente comandados por ele.

Marcinho VP, que chefiava as bocas-de-fumo do Complexo do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro, foi também condenado por inúmeros crimes, tais como homicídio qualificado, formação de quadrilha, entre outros.
Segundo a polícia, é o principal suspeito pela morte de Márcio Amaro de Oliveira, seu homônimo Marcinho VP, em 2003, este chefe do tráfico da favela Santa Marta, em Botafogo.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Márcio Amaro de Oliveira-Marcinho VP do Morro Dona Marta (Baú do Crime)


Márcio Amaro de Oliveira, vulgo Marcinho VP (1970 — 29 de julho de 2003), foi um traficante de drogas do Rio de Janeiro, atuante na Favela Santa Marta ("Dona Marta"), em Botafogo.
Em 1995 deu informações importantes, que viabilizaram a gravação do documentário Notícias de uma Guerra Particular, do cineasta João Moreira Salles.

No ano seguinte, tornou-se nacionalmente conhecido quando garantiu a segurança do popstar Michael Jackson e do cineasta Spike Lee, quando gravaram um videoclipe na favela.

A frequência com que recebeu destaque na imprensa, inclusive pelas preocupações sociais com sua comunidade, chamaram a atenção do jornalista Caco Barcellos, que durante cinco anos se dedicou à tarefa de escrever sua biografia, o livro, Abusado - O dono do Morro Dona Marta, publicado pela Editora Record. No livro, Marcinho recebe o pseudônimo Juliano VP, para não ser confundido com Márcio dos Santos Nepomuceno, outro traficante que usava o mesmo apelido.
Dois meses após a obra ter chegado às livrarias, Marcinho VP foi assassinado por estrangulamento em Bangu III1 , onde estava preso, pois segundo a polícia, revelou detalhes demais sobre o funcionamento das facções criminosas cariocas, o que provocou problemas com a própria facção.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ernaldo Pinto de Medeiros-Uê (Baú do Crime)




Uê sempre teve personalidade de criminoso, desde sua infância. Sua entrada no tráfico deveu-se em parte a seu pai. Ele guardava as armas dos criminosos do morro e por isso era estimado entre os bandidos. Uê ajudava como olheiro do tráfico, fugindo das aulas para esse intento, e posteriormente abandonou a escola para trabalhar na contenção sem conhecimento de seu pai, junto ao seu irmão. Quando seu pai morreu e o bandido amigo de seu pai foi preso, o comando passou as suas mãos devido a sua valentia nos confrontos com a polícia. Quando o amigo traficante saiu da cadeia, Uê fez um churrasco para comemorar sua volta, mas era uma cilada, já que não queria devolver a liderança do morro. Assassinou durante a suposta comemoração o bandido e seus fiéis e reafirmou a sua posição de líder do morro.


Uê fazia parte da facção criminosa Comando Vermelho (CV), da qual foi expulso por tramar a morte do então líder Orlando Jogador, para lhe tomar o poder. Fundou então a facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), que passou a disputar com o CV o domínio do tráfico de drogas nas favelas cariocas. Uê possuía três aviões na fronteira do Brasil com a Bolívia, conforme relatado pela deputada Marina Maggessi, que coordenou por muitos anos a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) no Rio de Janeiro. Também possuía vários negócios na cidade de Novo Hamburgo, no estado do Rio Grande do Sul.

Rico, Uê morre carbonizado dentro de presídio

Ernaldo Pinto de Medeiros atuava como um "atacadista" de drogas. De acordo com dados da Polícia Federal, seus negócios movimentavam R$ 20 milhões por ano. Os bens do traficante foram avaliados em R$2,3 milhões. Em sua lista de bens, constam sete imóveis e 13 carros, além de 11 contas bancárias utilizadas pelo grupo do traficante.
A mansão em que a mulher e os filhos do criminoso moravam, num condomínio no Recreio, foi avaliada em R$700 mil. Na Estrada da Pedra de Guaratiba, o sítio da família, de R$ 400 mil, era a menina-dos-olhos de Uê. O terreno tem aproximadamente cinco mil metros quadrados. Nessa área, fica a casa principal, com cinco quartos, e uma casa menor, para o caseiro. Um campo de futebol e um parquinho para as crianças, além da piscina, eram as áreas de lazer do local. Uma casa de dois andares do traficante em Muriqui também entrou na lista da Justiça.

Mas, como todos os traficantes, Uê não pôde gozar do que o crime lhe deu. Em 11 de setembro de 2002, por ordem de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, um dos chefes da principal facção criminosa do Rio, Uê é morto e tem seu corpo carbonizado dentro do presídio Bangu 1, em Gericinó. Ele tinha 33 anos e toda a falsa riqueza que o tráfico lhe rendeu foi confiscada pela Justiça.

Após a morte, a sepultura onde foi enterrado, no cemitério São Francisco Xavier, no Caju, virou atração. Margeado por duas colunas romanas e um anjo barroco, o túmulo tinha também um retrato em bronze do bandido. Na peça, o traficante tem as mãos algemadas e, com os polegares, faz o sinal de positivo. Localizada a cerca de 30 metros da entrada principal do cemitério, a sepultura de Uê costumava ser decorada com arranjos florais semanalmente, pelos parentes. Segundo informações da administração do cemitério, a construção custou R$ 44 mil.

Em 2006, um grupo de aproximadamente seis homens armados com fuzis invadiu o Caju e atirou contra o túmulo do traficante.

Fonte: Vários Sites na Internet.


domingo, 10 de novembro de 2013

A história do traficante Arley Azevedo de Araújo, o Savoy (Baú do Crime)


O Baú conta a história do traficante Arley Azevedo de Araújo, o Savoy, um bandido que gostava de matar policiais. Arley foi caçado pela polícia até ser morto, em 2003, na favela do Muquiço, em Guadalupe. Savoy era conhecido por liderar "bondes" para roubar carros e pelas diversas namoradas. Uma delas, Vivian Braga, ficou famosa ao ser presa no dia em que o bandido foi morto.

Savoy, o bandido que gostava de matar policiais

O inspetor Marcos Augusto de Paula, o Marcão, foi executado em 2002 por bandidos do Morro da Pedreira, em Costa Barros. Na época lotado na Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), ele era tido como um policial operacional e muito querido. Começava ali então a caçada a um dos bandidos mais sanguinários do Rio de Janeiro: Arley Azevedo de Araújo, o Savoy. Conhecido como matador de policiais, ele era o chefe do grupo que perseguiu Marcão, na Avenida Brasil, o sequestrou e levou para próximo do morro onde ele foi torturado, executado e jogado no Rio Acari.
Muitos antes de começar a matar policiais, o que ele considerava um "hobby', Savoy foi designado pelo seu chefe, Paulo Cesar Silva Santos, o Linho, para ser o homem que comandaria o tráfico de drogas dos morros da Pedreira e Lagartixa, em Costa Barros. Logo depois, Linho desapareceu e até hoje a polícia não tem certeza se ele está morto. O disque-denúncia chegou a oferecer uma recompensa de R$ 5 mil para que informasse o paredeiro de Arley. Era na Pedreira que a quadrilha mantinha seu arsenal de armas, causando medo a qualquer policial que tentasse invadir o reduto. Nas imediações os traficantes saiam em "bondes" para roubar carros. Diversos ferros-velhos foram estourados pela polícia.



As namoradas de Savoy

A prisão de Savoy acabou mostrando mais uma de suas facetas. A de colecionar belas namoradas. Presa na mesma casa cercada pela polícia onde o bandido foi localizado, na favela do Muquiço, Vivian Braga, admitiu que mantinha um romance há seis meses com o traficante. A ex-estudante de moda de uma universidade particular levava uma vida de rainha. Do bandido ganhava uma mesada de R$ 4 mil mensais para suas despesas particulares. Além disso, ganhou mimos como um Siena, um celular de R$ 2, 5 mil e jóias. Apesar de ter tido outras namoradas - quatro de acordo com a polícia - era com Vivian que Savoy costumava viajar sempre. Em uma das viagens a Ubatuba, no litoral paulista, ele chegou a alugar um apartamento para ficar um tempo com ela.


Savoy não admitia traição. Localizada quinze dias após a morte do namorado, uma de suas mulheres admitiu que uma vez levou um tiro na perna como punição. Ele teve um rápido romance com um jovem de 16 anos enquanto ainda namorava Arley. O rapaz também foi baleado mas escapou de ser executado pela quadrilha do traficante. Apaixonada e mãe de uma filha de Arley, ela chegou a tatuar o rosto do amado no seu tornozelo direito. Mesmo indignado, ele tratou seu tratamento enquanto esteve se recuperando do ferimento causado pelo tiro. Logo depois ela acabou abandonando o namorado. De acordo com investigações da polícia, esporadicamente ela levava a filha para ver o pai no morro da Pedreira.


Morto em um de seus redutos

Savoy matava policiais mas também gostava de pagar propina para os maus policiais. Em grampos autorizados pela justiça, o bandido foi pego em escutas telefônicas negociando R$ 1.500 por mês para não ser incomodado na favela do Muquiço, em Guadalupe, onde também era o chefe do tráfico de drogas. As investigações foram coordenadas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). O "arrego" era negociado com pelo menos três policiais militares diferentes que se tratavam por apelidos. Esperto, Arley trocava sempre de telefone para não ser grampeado pela polícia. Segundo as investigações, os policiais ajudavam o traficante a se movimentar de um reduto ao outro.


O reinado de Savoy no tráfico durou até dezembro de 2003. Uma operação da 38 DP (Brás de Pina) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) na favela do Muquiço, terminou com a morte do bandido. Na casa onde Arlei se escondia foram presas mais três pessoas: um cabo da aeronáutica, um segundo homem e a namorada Vivian Braga Corrêa. No local foram apreendidos cheques, celulares, documentos falsos, dois carros e uma pistola calibre 9 mm. Quando morreu, Savoy já tinha contra si nove mandados de prisão e 15 inquéritos policiais incluindo tráfico e homicídio.

Fonte: Jornal Extra

sábado, 9 de novembro de 2013

Orlando Jogador (Baú do crime)




Na infância e juventude chegou a ser de fato um jogador da equipe do Olaria Atlético Clube, daí advir o seu apelido, pois gostava de futebol e costumava patrocinar times de pequeno, tendo inclusive criado o Social Ramos Clube, que disputaria o Departamento Autônomo, mas a agremiação encerrou logo suas atividades por conta da morte do traficante.

Ficou conhecido por ser um dos braços direitos de Rogério Lemgruber o fundador do CV. Orlando Jogador foi responsável por diversas invasões a morros que não pertenciam ao CV, com o objetivo de tomar os pontos de venda de drogas e entorpecentes.

A história de 20 anos de domínio do tráfico começa a ser escrita nos bairros da Penha, Ramos e Olaria por Orlando Jogador. Criado no Engenho da Rainha, o ex-soldado da quadrilha de Amarílio da Glória Venâncio, o China, derrubou o chefe e assumiu, em 1990, o controle do Morro do Alemão. Em dois anos, arrendou as bocas das comunidades vizinhas (uma novidade à época) e estendeu seus limites até o Complexo da Penha. Alguns cederam território em troca de pensão mensal. Quem resistiu, acabou morto.

A traição e a morte de Orlando Jogador

Uê nasceu para o crime no Morro do Adeus, em Ramos. Até os 25 anos, ele era uma das principais forças da primeira facção criminosa do Rio. Mas foi em 1994 que sua vida mudou. Neste ano, Uê tramou a morte de um dos principais chefes da facção, o bandido Orlando da Conceição, o Orlando Jogador, do Complexo do Alemão. Uê tinha sido cumplice de Jogador, mas mudara de lado, passando a disputar com o bandido os pontos de drogas do Adeus.

Dois anos após a morte de Jogador, Uê aplica novo golpe à quadrilha que o formou. Junto com outros bandidos, como Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, e José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha, em 1996, ele cria uma outra facção criminosa. Os planos de criação desta nova quadrilha foram tramados por Uê, quando ele estava preso em Bangu 1, no Complexo Penitenciário de Gericinó.

Fonte: Vários sites na internet.




quinta-feira, 7 de novembro de 2013

RL, um famoso desconhecido. (Baú do Crime)



Rogério Lengruber, o mais idolatrado líder de uma das facções criminosas do Rio de Janeiro é conhecido hoje pela sigla RL. Apesar da fama, poucos sabem quem era o Bagulhão ou Marechal. Criado na favela do Rebu, em Senador Camará, costumava praticar assaltos a banco com seu irmão, Sebastião Lengruber, o Tiguel. RL foi preso várias vezes e sua ida para o presídio de Ilha Grande, marca sua história na facção criminosa Falange Vermelha e sua entrada no tráfico de drogas da cidade. A história recente carioca ainda não tem muitos registros sobre a vida do criminoso que ganhou fama por ter seu nome escrito em centenas de muros das favelas cariocas.

Rogério Lengruber e a Falange Vermelha.

RL. A sigla vista com frequencia em muros e citações de uma facção criminosa do Rio de Janeiro refere-se à Rogério Lengruber, o Bagulhão ou Marechal. Apesar de seu nome em siglas, cartas e muros de centenas de comunidades, poucos sabem quem era Rogério Lemgruber, um dos mais idolatrados líderes da facção.

RL foi criado na favela do Rebu, em Senador Camará e costumava cometer assaltos a bando com seu irmão, Sebastião Lengruber, o Tiguel. RL foi preso várias vezes e sua ida para o presídio de Ilha Grande, marca sua história na facção criminosa Falange Vermelha e sua entrada no tráfico de drogas da cidade



Apesar de ter passado a maior parte de sua vida no Presídio de Ilha Grande, foi lá que começou a se tornar um homem respeitado no mundo do crime. Conheceu comparsas como Willian da Silva Lima, o Professor; José Carlos dos Reis Encina, o Escadinha; José Jorge Saldanha, o Zé do Bigode e Orlando Conceição, o Orlando Jogador. Com a ajuda deles organizou fugas mirabolantes, como em janeiro de 1980, quando conseguiu escapar da ilha de barco. Junto com seus companheiros no crime começou a organizar a Falange Vermelha e o tráfico de drogas de dentro da Ilha Grande, entre 1969 e 1975.

A morte de Rogério Lengruber

Vítima de insuficiência hepática e diabetes, seu estado de saúde começou a se agravar. Como não suportava a vida carcerária, devido a quantidade de vezes em que foi preso, fugia e era recapturado, tentou um jogo de morte. O criminoso pensou em se aproveitar da doença para tentar mais uma fuga. RL começou a dispensar a dieta feita especialmente para ele. Comia muitos doces e outros alimentos que pudessem aumentar sua taxa de glicose. Magro e debilitado Bagulhão foi transferido para o Hospital Central Penitenciário para tratar a diabetes. Pouco tempo depois foi transferido para o Hospital Miguel Couto. Durante sua internação, RL mudou completamente a rotina do hospital.


Havia uma preocupação enorme das autoridades, já que em um hospital comum, seu resgate se tornaria mais fácil para os criminosos da facção. A segurança foi reforçada com policiais militares fardados e disfarçados. Todos os visitantes que tentavam entrar na unidade eram revistados e seis policiais ficavam 24 horas na enfermaria para impedir uma invasão. Em 29 de maio de 1992, após oito dias de internação, RL morre no hospital, vítima das complicações de sua doença. Rogério foi enterrado no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju. Muitas pessoas compareceram ao sepultamento do criminoso.


Fonte: Jornal Extra